Recentemente, o presidente da Valve, Gabe Newell, comentou sobre o preço dos jogos atualmente e sobre como eles poderiam ser mais baratos. Tirando um trecho da notícia do Finalboss:
Em palestra na DICE 2009, evento de desenvolvedores de software realizado nesta última semana em Las Vegas, Gabe Newell – presidente do estúdio Valve – relatou uma série de situações que ele contempla para o futuro da companhia e do mercado. Usando o sistema Steam como exemplo, Newell afirma que os jogos poderiam ser vendidos mais baratos, pois a venda acabaria se pagando pela quantidade.
Newell usou como exemplo o recente desconto de “Left 4 Dead”, que teve um aumento de 3000% em vendas no fim-de-semana passado (dias 14 e 15 de fevereiro) ao ser oferecido pela metade do preço – e obtendo mais lucro do que no fim-de-semana de lançamento do mesmo. Outro exemplo foi sobre jogos com desconto na época de Natal, que obtiveram aumentos variando entre 300% e 600%.
E é bem verdade. Depois de pagar uma fortuna em Spore e jogá-lo três vezes antes de notar que o jogo era ruim, fiz uma promessa silenciosa de que não compraria jogos originais tão cedo.
Um pouco de divagação: acho que eu (assim como boa parte dos leitores, se é que a gente já tem leitores) sou do que se poderia chamar “Geração Filewarez”, uma geração que cresceu em contato com a internet, vendo pornografia aos 12 anos de idade e tendo acesso a entretenimento de qualidade de graça. Em suma, uma geração de pirateiros.
Crescendo assim, é difícil gostar de ter que pagar 20 reais para ver um lançamento no cinema, ou então esperar alguns meses para vê-lo a um quarto do preço, tendo como alternativa gratuita esperar cinco anos para que o filme em questão passe na Tela Quente da Globo ou uns três anos no Dez e Meia no Cinema, do SBT. O mesmo ocorre com jogos: creio que teria tido um contato mínimo com videogames e jogos de computador se não fosse a internet e os sites de torrent. Meu último original caro antes de Spore foi The Sims, em 2000, e só agora pude tostar mais uma grana da mesada suada em um jogo para PC. A merda foi que decidi apressadamente e comprei Spore na pré-venda, sentando na graxa.
Deixemos de lado a questão dos impostos absurdos que caem sobre o preço dos videogames. Mesmo com o preço “justo” dos jogos de computador, que seguem o preço americano e às vezes saem ainda mais baratos, acredito que a pirataria vai ser uma opção permanente enquanto eu puder baixar jogos. Por mais que eu pudesse comprar mais de um jogo por mês (e eu não posso), não me vejo pagando por todo e qualquer software que entrar no computador. Não faz sentido. É retardado, no sentido literal da palavra: atrasado.
Se fosse assim, eu teria jogado no máximo 20 jogos no decorrer da vida, e não é uma questão de achar que “o mundo é dos ixpertos” ou qualquer coisa do gênero, é só uma questão de bom senso. Não é porque eu quero me divertir um pouco com Cooking Mama que vou pagar 100 reais por ele e esperar chegar a encomenda. Não, e mesmo que fosse por distribuição digital eu NÃO IA pagar 100 reais por ele. Com 100 reais eu compro, sei lá, um box com todos os Star Wars ou todos os filmes d’A Pantera Cor-de-Rosa, que eu já vi alugados e pirateados, e tenho certeza de que serão uma boa aquisição. Vendo isso, depois dos 150 reais mal-gastos com Spore, decidi que o que eu devia ter feito era, como no resto das vezes (Neverwinter Nights, Desperados, Age of Empires, as HQs Bone, Watchmen, Drawing Comics…), baixar a versão pirata e comprar se eu achasse que o produto merecia um lugar na estante.
Mas não, o desgraçado tá como uma mácula na estante, só porque eu quis ser o bom samaritano e aceitar o que o sistema corporativo me propõe: “compra aí, a gente promete que é bom”.

E aí entra a questão Gabe Newell: jogos mais baratos são mais fáceis de comprar e se você se foder não perde tanto. Sem contar que, como comentado acima, o jogo acabaria se pagando pela quantidade. Depois que descobri que o Steam era a perdição digital de um sujeito com cartão de crédito, comprei Half-Life por US$ 2,00, Team Fortress 2 por US$ 10,00 e pretendo comprar as próximas iguarias que surgirem a preços baixos no Steam.
O que vem acontecendo na indústria dos jogos é que as produtoras pensam como produtoras, e os consumidores aprendem a pensar como as produtoras. Não são poucos meus amigos internéticos que mandam um emoticon de “¬¬”, “:o” ou passam um sermão quando eu comento que baixei um jogo pirata. É tipo se eu fumasse maconha, que eu sei que faz menos mal que cigarro e cerveja, mas é uma coisa suja e má porque a gente aprendeu a achar isso desde cedo. Aí novamente entra Gabe Newell, que em vez de ser um gordo rico avarento e coagir os consumidores a batalhar junto com ele contra a pirataria, faz o caminho inverso e pensa como o consumidor. Aí surgem os games de dois dólares, as promoções por um quarto do preço normal, as chances de pagar por um jogo recente o preço de uma Fullgames (Lost Planet tava por 5 dólares).
Sério, com 25 reais eu não compro nem CS 1.6 na loja de computadores aqui da cidade, e deu pra comprar Team Fortress 2, que é de 2007 e vai me proporcionar diversão infinita até eu perceber que comecei a rodar nas matérias da faculdade!
Enfim, é isso. Um desabafo, uma carta de amor a Gabe Newell, aquele gordo rico gente fina que se continuar assim vai acabar morrendo envenenado, e um aviso pra vocês que têm TF2 e vão poder trucidar um noob logo que eu estiver no computador bom.
Por Lipedal


